Goiânia, quarta, 15 de agosto de 2018
15/02/18 3106 visualizações

José Nelto para Marconi e Eliton: ‘acabou a era da mordomia’



Foto: Divulgação

Em discurso hoje no plenário da Assembleia Legislativa, na reabertura dos trabalhos da Casa, o líder da oposição, deputado José Nelto (PMDB), falou diretamente ao governador Marconi Perillo (PSDB) e ao vice José Eliton (PSDB), ambos presentes diretamente no plenário. Nelto repetiu três vezes que "o poder é político, a autoridade é moral" e que acabou em Goiás e no mundo a era da corrupção, da mordomia e da ostentação.

"Em nome da democracia e dos direitos humanos, quero mostrar duas ações recentes do governo de Goiás que mostram seu viés autoritário. Primeiro perseguiu o sargento Alison Maia, opositor do DEM que foi candidato a prefeito em Caldas Novas, transferindo ele para Iporá. A segunda perseguição ocorreu quando o vice-prefeito de Palmeiras, Ailton Terra, que deixou o PSDB e se filiou ao DEM e teve seu comércio invadido pelo Fisco do Estado de Goiás, juntamente com o aparato de segurança pública, de uma forma truculenta", denunciou Nelto.

Em discurso contundente, o peemedebista apontou que há atualmente em Goiás um verdadeiro desrespeito aos servidores públicos. "Eles passaram a conviver com salários atrasados e constantes ameaças. Os adicionais de insalubridade e periculosidade foram reduzidos a quase zero. A previdência dos servidores foi alterada para pior, sem contar a constante ameaça de perda da licença-prêmio e do quinquênio. Além disso, não tiveram um direito legal respeitado – a reposição salarial pela data-base", denunciou.

Com um déficit bilionário nas contas do Estado, o governador decidiu punir o cidadão goiano o quanto pôde. As tarifas de água e energia foram reajustadas em mais de 100% desde 2015. O governo também aumentou o ICMS da gasolina para 31%, sendo agora o segundo mais alto do Brasil, e também chegou a dobrar o imposto de transferência de herança e doação, o chamado imposto das viúvas. Só recuou depois de pressão da oposição. Com atendimento precário, o Detran de Goiás protagonizou outra punhalada nos goianos. Aumentou os valores das taxas e tentou a todo custo obrigar os goianos a pagar R$ 210 pelo chip na placa. O Estado de Goiás tem hoje a carga tributária mais alta do Brasil. "Educação, saúde, segurança pública, rodovias, aumento da água, luz e gasolina, um verdadeiro festival de aumento de todos os impostos, até mesmo o ICMS de produtos da cesta básica, punindo as camadas mais carentes da população", enfatizou o líder do PMDB.

Nelto foi além: disse que o governo Marconi-José Eliton aumenta impostos, corta direitos, mas se recusa a cortar gastos supérfluos. Nos últimos três anos foram 28 viagens internacionais luxuosas, sendo uma delas secreta, em junho de 2015, algo ilegal. Foram gastos nesses 3 anos mais de R$ 90 milhões com shows caríssimos, acima do valor do mercado. Sem contar os mais de R$ 300 milhões com publicidade em apenas 36 meses.

"Falta dinheiro para tudo, mas não falta para publicidade, shows, mordomias e viagens internacionais. Também não falta dinheiro para asfaltar certas rodovias, como a que passa dentro da fazenda do vice José Eliton. O governador Marconi Perillo garantiu na campanha eleitoral que Goiás não perderia a Celg. Mal o ano começou e o tucano colocou a estatal à venda, que foi concretizada em 2016. Esta semana foi anunciado que a Saneago vai vender 25% de suas ações, novamente a preço de banana", apontou.

Nelto criticou também a situação calamitosa da educação, da saúde e da segurança pública em Goiás. "Há em Goiás uma falsa propaganda de que as Organizações Sociais, as chamadas OSs, revolucionaram o atendimento à saúde pública. É uma inverdade repetida à exaustão. Agora vão estender as OS para a área da educação. Os professores são massacrados em Goiás. Já se retirou a gratificação por titularidade deles, desde 2012. Agora estão acabando com os concursos públicos e enterrando de vez a carreira de professor. No campo da segurança pública, talvez nosso principal problema, este foi infelizmente mais um ano marcante na área. Os últimos oito anos entraram para a história como os oito anos mais violentos da história de Goiás. Quem diz é o Mapa da Violência, que sempre coloca Goiás entre os cinco mais violentos do Brasil. Na época dos governos do PMDB, era o 19º mais violento", pontuou.

O legado da segurança pública que seu governo e o do ex-secretário José Eliton vão deixar para o sucessor é muito ruim: os piores índices do Brasil e os piores salários do Brasil, com vários policiais ganhando R$ 1500 bruto e R$ 1100 líquido, sendo obrigados a dormir em delegacia. Em 120 cidades goianas não há sequer delegados, várias delegacias já foram fechadas, a sensação de insegurança tomou conta desses ambientes. "Depois de três anos de promessas, o governador ainda não fez o concurso da segurança pública de Goiás. Não fez e, pelo que eu vejo, nem vai fazer", criticou o peemedebista.

Por fim, Nelto disse que "este governo inviabilizou Goiás pelos próximos 20 anos, são quase 10 bilhões de empréstimos que os próximos governadores terão que pagar a curto prazo".

Assista, abaixo, a íntegra do discurso de José Nelto:

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