Goiânia, tera, 22 de maio de 2018
01/03/18 2068 visualizações

Caiado quer evitar queima de arquivo na venda de ações da Saneago





O líder do Democratas no Senado Federal, Ronaldo Caiado (GO), entrou com um pedido ao Núcleo de Combate à Corrupção da Procuradoria Geral da República (PGR) para que solicite a imediata suspensão da venda de 25% das ações da Saneago para o mercado financeiro.

O objetivo é evitar que o Governo de Goiás use do artifício para prejudicar a apuração dos crimes relacionados à “Operação Decantação”, que revelou um esquema de propina e pagamento de dívidas de campanha ligadas ao grupo do atual governador Marconi Perillo.

“Há um receio de que essa venda possa prejudicar as apurações dos crimes praticados na companhia. E parece ser por demais evidente não fazer sentido colocar mais recursos nas mãos de gestores comprovadamente ímprobos, e de certa forma implicados nos fatos objeto da denúncia ajuizada por este órgão ministerial”, argumenta Caiado em seu requerimento

O senador também ressalta que as estimativas de que se possa levantar cerca de R$ 1 bilhão com a venda dos 25% da empresa pública não possui “lastro de nenhum órgão especializado”. A Saneago ainda precisaria pedir a mudança de sua categoria “B” na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que impede a estatal goiana de negociar ações, e a obtenção do certificado de “Programa de Destaque em Governança de Estatais” na Bolsa de Valores.

“A companhia foi sucateada ao seu extremo e nesse momento precisa ser reabilitada. Uma venda antes de um processo de resgate e governança bem executados faria com que os ativos fossem negociados a preço inferior ao devido. Essa pressa do governo não tem outra explicação senão evitar que mais irregularidades sejam descobertas. Assim como o governador fez com a Celg”, reforça Caiado ao lembrar da venda da estatal de distribuição energia elétrica do estado, a maior empresa do Centro-Oeste.

Outro agravante evidenciado na denúncia seria a proximidade com o período eleitoral, o que reforçaria a necessidade de prudência com a operação, “sobretudo quando falamos da atuação de pessoas denunciadas e outras já citadas por elas em depoimentos ou áudios judicialmente autorizados, praticando condutas de manifesto desprezo à ordem jurídica”, alerta o democrata.

“DECANTAÇÃO”


Em agosto de 2016 a Polícia Federal deflagrou a “Operação Decantação” e cumpriu 120 mandados judiciais em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Formosa e Itumbiara, em Goiás, além de São Paulo e Florianópolis.

A PF e Ministério Público obtiveram provas e evidências de que a Companhia Saneago contratou uma empresa de assessoria que fazia licitações de forma a direcionar o resultado para que as vencedores fossem empresas participantes de um esquema de desvio de verba pública.

O dinheiro era então repassado então em forma de propina, pagamento de dívidas de campanhas, repasse para organizações sociais de fachada e até coquetéis feitos dentro do palácio do governo em nome do órgão.

Confira documento na íntegra

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