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Com baixas e rejeição em alta, desafio do MDB de Temer é deixar o governo para seguir governo
Data Publicação:25/04/2018
É um case a ser investigado a fundo pela Ciência Política. Quase dois anos após chegar ao topo do poder, o velho PMDB é hoje uma coleção de baixas, a começar pela letra P do antigo nome.

Um a um, os principais nomes do partido foram abatidos em pleno voo. Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves, dois velhos aliados de Michel Temer, estão presos. Um mantinha um cafofo com R$ 51 milhões em seu apartamento em Salvador. Outro é suspeito de receber propina enquanto exercia cargos públicos.

Eles fazem companhia ao primeiro escalão do velho PMDB fluminense: Eduardo Cunha, o ex-todo-poderoso presidente da Câmara, Sergio Cabral, ex-governador, Jorge Picciani, ex-presidente da Assembleia Legislativa do estado, entre outros.

Resultado: a ex-maior bancada da Câmara perdeu 14 soldados desde a eleição. Metade dos soldados caiu no Rio. De dez deputados eleitos no estado, apenas três seguem na legenda – um deles, Celso Jacob, está preso e os outros dois, Marco Antônio Cabral e Leonardo Picciani, são herdeiros de detentos.

A hecatombe da Lava Jato no Rio é um fator-chave para explicar o fenômeno, mas não só.

Michel Temer chegou até onde chegou sem precisar sair do bunker de onde pavimentou, entre reuniões fora da agenda e conversa estranhas interceptadas de madrugada, o caminho à Presidência. Hoje é uma usina radioativa de impopularidade.

Em 2016, recém-empossado presidente, não houve candidato para o qual Temer apontou o dedo que não tenha virado pó. A começar pela ex-petista Marta Suplicy, que, na disputa pela Prefeitura de São Paulo, imaginou ter dado o pulo do gato ao embarcar na nau dos vencedores da queda de braço do impeachment.

Temer agora precisa brigar com a matemática se quiser levar a sério o projeto de reeleição: com quase 70% de rejeição, espera superar em alguns meses os 2% das intenções de voto das pesquisas. Se conseguir, será o maior caso de ascensão meteórica desde a campanha do Flamengo no Brasileirão de 2009 – com a diferença de que não tem Adriano e Petkovic no elenco.

Se o senso de sobrevivência falar mais alto que o delírio, os chefes do partido já podem ensaiar um retorno ao que sempre foram para seguir mais ou menos onde estão (e garantir pelo menos o foro privilegiado a quem ainda não foi encarcerado): voltar a ser linha auxiliar de governo, qualquer um, seguir comendo pelas beiradas e se contentar com redutos de oligarcas em prefeituras e gestões estaduais.

Isso talvez explique o aceno, noticiado pelo Estado de S.Paulo, de Michel Temer a Geraldo Alckmin, pré-candidato tucano a presidente. O caminho de volta, porém, não é tão simples.

Recém-filiado ao partido, Henrique Meirelles não deixou o Ministério da Fazenda à toa. Alckmin não demonstra disposição em assumir para si o “legado do governo”, como querem os emedebistas. E qualquer casamento hoje no plano nacional terá impacto imediato nos arranjos regionais. A começar por São Paulo, onde Paulo Skaf (MDB) e João Doria (PSDB) afiam as lanças para caçar os mesmos eleitores pelo governo do estado.

Isso sem contar uma pergunta de ordem existencial: depois do toco em Dilma Rousseff, quem toparia a turma de Temer na mesma chapa?

Pelo visto, a operação para deixar o governo e seguir governo vai exigir uma habilidade manual que o presidente até agora não demonstrou sequer para conter a debandada da própria base.


Fonte:Yahoo.com



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