A mostra que se inicia dia 28 de novembro tem curadoria de Eduardo Veras
No próximo dia 28 a artista Gisela Waetge abre Base12 – Base9, no Museu do Trabalho, mostrando momentos distintos de seu trabalho: na sala grande estarão as pinturas-desenho da série base12-base9, pinturas que foram feitas entre 2011 e 2012, em diferentes tamanhos. A menor possui 36x36cm e a maior 180x180cm. Os tamanhos dessas telas foram estabelecidos a partir do que a artista chamou de unidade básica, que é um quadrado de 36x36 unidades, divisível por 12 e por 9. Nos vários formatos, trabalhou a sobreposição dessas duas grades originadas a partir da divisão por 12 e da divisão por 9, formando diferentes quadriculados e marcando pontos.
Com a ideia de estabelecer uma conversa entre a ordem arquitetônica do espaço do Museu e a ordem existente nos trabalhos, Gisela traçou pontos a cada 12 cm, com carimbo e têmpera, pontos esses que se misturam aos pontos nas telas. Na sala pequena estão desenhos sobre papel inéditos que resultarão no livro 105 dias - desenhos para os meus amigos, desenhos para melhor passar o tempo.
Gisela Waetge vive em Porto Alegre e dedica-se às Artes Plásticas e ao ensino de Patchwork desde 1993. Realizou inúmeras exposições individuais, entre elas “A regra sensível”, “Planejamento e acaso” e “Pinturas e desenhos”, na Galeria Gestual, em Porto Alegre, respectivamente em 2001, 2007 e 2011. Esteve em edições da Bienal do Mercosul em 1997 e 2005 e na Bienal de São Paulo em 1991. Recebeu os seguintes prêmios ao longo de sua carreira: I Salão Nacional de Pelotas /RS - 1o prêmio, em 1989; XII Salão Nacional, Brasília /BR - prêmio aquisição, em 1991; 32° Salão de Arte Contemporânea de Santo André /SP - prêmio aquisição, em 2004 e VI Prêmio Açorianos de Artes Plásticas: Destaque Pintura e Artista - Destaque do Ano em 2012.
Entre dois campos – por Eduardo Veras
O conhecimento humano, sobretudo ao longo do século XX, com suas especializações e seus territórios delimitados, tratou de separar as ciências exatas, matemáticas e lógicas, do que seriam as humanidades. Desde então, a criação artística aparece com frequência mais próxima do segundo campo: a arte teria a ver, antes de tudo, com as intuições, com as liberdades, com os desregramentos. Seria como se ela, de alguma forma, criasse resistência ao que se apresenta como preciso, no sentido de rigoroso e irrefutável. A arte estaria sempre no lado oposto, onde quase tudo cabe e se faz maleável. Em um extremo, menos sedutor, repousaria a severidade matemática, a linha perfeita, a distância mais curta entre dois pontos, o percurso objetivo. No outro campo, tão caro à criação artística, grassaria o descomprometimento gestual, o ziguezague, a deambulação, o caminho mais disparatado entre sabe-se lá quantos pontos. Trabalhos como os de Gisela Waetge tornam mais poroso esse muro que divide em dois um mesmo mundo.
Em primeiro lugar, porque suas pinturas e seus desenhos evidenciam a beleza da matemática, o que seria, digamos, uma estética da exatidão. Gisela nos lembra que há algo, de fato, belo, harmonioso, atraente, em retas que se cruzam e se interceptam, estabelecendo quadros, quadrados, retângulos, dando origem a novos pontos, planos, círculos, a esquemas gráficos e a campos de energia. Pontos e linhas, quadros e quadrados – ainda mais assim, sutilmente atravessados pelas cores – tocam no nervo mais sensível. São bonitos, vibram.
Em segundo lugar, porque essa beleza exata pode conviver bastante bem com aquela outra, mais imprecisa; na aparência, mais livre e mais descontrolada. As grades que Gisela risca comentam justamente essa tensão, ou esse estar juntos. Não se trata mais de celebrar um campo puro, exato, nem o outro, do outro lado, irreprimido, vasto. As forças se combinam. Os campos se entrelaçam. As grades se erguem entre um e outro.
O convite que a artista nos faz, também ele à primeira vista ordenado, lógico e funcional, sugere que qualquer um de nós pode construir um trabalho igual ao dela. Você mesmo, que há tanto tempo não desenha, tem a chance de riscar um desses fascinantes gradis. Basta cumprir as instruções: busque um lugar, ache o MMC, desenhe precisamente... Com sorte, deve resultar em algo bem parecido. Mas a receita, por mais exata, guarda sempre certa falha, e o mesmo vale para o seu cumprimento. Há nuances de gesto, de escolhas, sobretudo de interpretações. Onde se esperava o mais preciso, sem erro, a criação se abre para o imprevisível.
Base12 - Base9, de Gisela Waetge,
Abertura dia 28 de novembro, quarta, às 20h
Visitação de 29 de novembro a 23 de dezembro de 2012
Terça a sábado, das 13h30 às 18h30 / domingo, das 14h às 18h30
De 7 de janeiro a 1 de fevereiro de 2013 - segunda a sexta, das 14h às 18h30
Entrada Franca
Museu do Trabalho - Rua dos Andradas, 230. Centro Histórico - Porto Alegre
Fone (51) 3227 5196
Mais informações: www.museudotrabalho.org
Fonte:BD Divulgação
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