A notícia mais alarmante da semana, no que se refere à internet, foi a
descoberta do Heartbleed, brecha de segurança que permite que hackers
roubem as senhas dos usuários em muitos sites da web e aplicativos
móveis.
O Heartbleed (algo como hemorragia cardíaca) é uma falha no OpenSSL,
protocolo de criptografia usado na internet para proteger informações
sigilosas, como as senhas.
O Heartbleed foi descoberto pela empresa de segurança finlandesa
Codenomicon. O Google, que ficou sabendo antes de outras empresas,
avisou algumas delas sobre o problema antes de divulgar a informação
para o público.
Como o OpenSSL é amplamente usado, o bug afetou milhares de serviços
online. Na terça-feira, o hacker Mustafa Al-Bassam (de Londres,
Inglaterra) testou os 10 mil sites de maior tráfego na web e descobriu
que 1.260 deles tinham a falha.
A lista dos sites vulneráveis incluia desde serviços populares como
Yahoo! e Flickr até sites de empresas de segurança, como a Kaspersky.
Al-Bassam verificou que, naquele momento, estavam seguros os sites do
Google e da Microsoft, além dos brasileiros UOL, Terra, iG e Globo. O
site da editora Abril, que inclui EXAME.com, também foi considerado
seguro nesse teste.
Em bancos, é pouco provável que o bug cause problemas, já que os
serviços financeiros tendem a usar múltiplas camadas de segurança
(alguns, como o Itaú, empregam duas senhas e mais um sistema de token
que usa códigos gerados dinamicamente).
Nos Estados Unidos, diversos bancos negaram que tenham sido afetados
pela falha. Questionamos o Bradesco e o Itaú sobre o bug, por meio de
suas assessorias de imprensa. Quando tivermos uma resposta, vamos
atualizar este texto.
Já existe uma versão corrigida do OpenSSL. Muitas das empresas que usam
esse protocolo (incluindo muitas que estão na lista de Al-Bassam) já
atualizaram seus servidores. Algumas delas, como as responsáveis pelos
apps IFTT e Wunderlist, enviaram mensagens aos usuários explicando a
situação.
Mas a correção no servidor não resolve totalmente o problema. Embora a
falha só tenha se tornado pública agora, ela existe há cerca de dois
anos. Por isso, é possível que hackers já tenham utilizado essa brecha
para roubar senhas.
Por causa desse risco, é recomendável trocar as senhas dos serviços
online depois que as empresas tiverem corrigido a falha. Quem usa o
navegador Chrome, do Google, pode instalar a extensão Chromebleed, que
alerta quando se tenta entrar um site vulnerável.
Veja o que disseram algumas empresas da internet sobre o Heartbleed:
Facebook — Disse à ABC News que corrigiu o problema antes de ele se
tornar público e que não detectou nenhuma atividade suspeita nos
servidores. É recomendável trocar a senha.
Google — Afirma que já corrigiu a falha em serviços como Gmail, YouTube e
Google Play. Também diz que smartphones com Android não foram afetados.
Convém trocar sua senha.
Yahoo! — Segundo a ABC News, a empresa confirmou que foi atingida e diz que já corrigiu a falha. Troque a senha.
Twitter — Diz que não foi afetado pela falha.
LinkedIn — A rede de contatos profissionais disse ao site Mashable que
não usa OpenSSL. Por isso, não foi atingida pelo Heartbleed.
Microsoft — Tem sua própria implementação do protocolo SSL, que não foi
afetada pelo bug. Em princípio, sites como OneDrive, Hotmail/Outlook.com
e Xbox Live estão seguros.
Tumblr — Confirmou que já corrigiu o problema no OpenSSL e diz que não
encontrou indícios de que dados tenham sido roubados. É recomendável
trocar a senha.
Amazon — Pelo que a empresa divulgou, sua loja online não foi afetada.
Mas alguns dos serviços de computação em nuvem da Amazon podem ter sido
atingidos. A empresa publicou um boletim com informações para empresas
clientes.
PayPal — O serviço de pagamentos diz que as contas de usuários estão seguras.
Apple — Não divulgou nenhuma informação oficial até agora. Especialistas
dizem que a Apple não usa a versão problemática do OpenSSL. Por isso,
parece estar a salvo do Heartbleed.