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RIO DE JANEIRO/SÃO
PAULO (Reuters) - Puxada pelos gastos públicos, a economia brasileira
saiu da recessão técnica no terceiro trimestre com um crescimento mínimo
que mostra estagnação e dificuldade de recuperação mais consistente da
atividade num momento em que o governo já indicou mais austeridade
fiscal.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu apenas
0,1 por cento no terceiro trimestre de 2014, na comparação com os três
meses anteriores, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
Mesmo tendo ficado praticamente estagnado, o país saiu
da recessão técnica --dois trimestres seguidos de contração-- que havia
entrado no semestre passado pela primeira vez desde a crise
internacional de 2008/09. Em relação ao terceiro trimestre de 2013, o
PIB brasileiro registrou queda de 0,2 por cento.
A mediana de previsões de analistas consultados pela
Reuters apontava para crescimento trimestral de 0,3 por cento e
contração de 0,1 por cento na comparação anual. [nL2N0TF0W6]
"A questão é o que o Brasil está saindo mancando, e não
saltando, da recessão. O crescimento trimestral mostra o tamanho do
desafio da nova equipe econômica. Boa parte do crescimento veio de
gastos do governo, que não vão continuar", afirmou o economista-chefe de
mercados emergentes da Capital Economics, Neal Shearing.
Segundo o IBGE, o consumo do governo cresceu 1,3 por
cento no trimestre passado sobre o período imediatamente anterior, o
melhor desempenho desde o segundo trimestre de 2013, quando a expansão
havia sido de 1,5 por cento. Sobre o terceiro trimestre do ano passado,
avançou 1,9 por cento agora. Esse desempenho, no
entanto, parece estar com os dias contados, diante da formação da nova
equipe econômica da presidente Dilma Rousseff, com perfil mais ortodoxo e
discurso de mais rigor fiscal, com corte de despesas. [nL2N0TH19Z]
Na véspera, foi confirmado que Joaquim Levy assumirá o
Ministério da Fazenda, enquanto Nelson Barbosa vai para o comando do
Planejamento. Alexandre Tombini, que iniciou mais um ciclo de aperto
monetário recentemente, continua à frente do Banco Central.
O Brasil tem convivido com inflação elevada e baixo
ritmo de crescimento, o que afetou em cheio a confiança dos agentes
econômicos.
INVESTIMENTOS
No trimestre passado, a Formação Bruta de Capital Fixo
(FBCF) --medida de investimento-- cresceu 1,3 por cento, interrompendo
sequência de quatro trimestres seguidos de queda. Mas ainda continua
fortemente no vermelho na comparação anual, com queda de 8,5 por cento.
Segundo o IBGE, houve queda na produção interna e importação de bens de
capital.
A taxa de investimento do país foi a 17,4 por cento do
PIB no último trimestre, a pior para esse período desde 2002 (17,2 por
cento).
A indústria, por sua vez, teve expansão de 1,7 por
cento entre julho e setembro, sobre o segundo trimestre, após ficar no
vermelho por quatro períodos consecutivos. A economista do IBGE, Rebeca
Palis, lembra que, no segundo trimestre, houve menos dias úteis por
conta da Copa do Mundo, o que ajuda na recuperação agora.
Segundo o IBGE, todos os subsetores da indústria
apresentaram variação positiva, com destaque para extrativa mineral (2,2
por cento) e construção civil (1,3 por cento). Mas, apesar da melhora
na comparação trimestral, a indústria ainda mostrou contração de 1,5 por
cento sobre um ano antes. Para o quarto
trimestre, já aparecem alguns sinais de um pouco mais de recuperação da
indústria. A confiança do setor, medida pela Fundação Getulio Vargas
(FGV), cresceu em outubro e em novembro, primeiros resultados positivos
neste ano. [nE5N0R502N] [nE6N0SM015]
Por outro lado, a confiança do consumidor não mostrou
ímpeto neste período, recuando 1,5 por cento no mês passado ao menor
nível desde 2009. [nEMN3ZI154]
Segundo o IBGE, o consumo das famílias recuou no
trimestre passado 0,3 por cento, marcando três períodos seguidos sem
crescer e o pior desempenho desde o quatro trimestre de 2008 (-2 por
cento). Na comparação anual houve expansão de apenas 0,1 por cento.
Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que está
deixando o cargo, a economia brasileira está em processo de retomada "em
ritmo ainda modesto".
Em nota, Mantega disse que o crédito "começa a dar
sinais de melhora", mas reclamou que "ainda está aquém do necessário
para levar a taxa de crescimento do consumo das famílias para uma
situação de normalidade".
"Tecnicamente saímos da recessão. Mas na realidade, é
uma estagnação. A expectativa é crescer um pouco mais que zero este ano,
mas a questão é que isso é bem menos do que é razoável para nosso
país", afirmou o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima
Gonçalves.
A projeção na pesquisa Focus do Banco Central, que ouve
semanalmente economistas de instituições financeiras, é de que o PIB
crescerá neste ano apenas 0,20 por cento. Se confirmado, será o pior
desempenho desde a contração de 0,33 por cento vista em 2009.
[nEMNEBJ0RZ]
Para mais detalhes do resultado do PIB no terceiro trimestre, clique em [nL2N0TI0DU].
(Reportagem adicional de Felipe Pontes, no Rio de Janeiro, e Asher Levine, em São Paulo)
Fonte:Reuteres
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