Analistas de grandes instituições financeiras internacionais veem risco
de a Petrobras, cuja credibilidade já está seriamente abalada diante dos
investidores, enfrentar problemas de caixa em 2015. No fim da semana
passada, a estatal anunciou que pretende manter fluxo financeiro
positivo no próximo ano, sem recorrer à captação de recursos no mercado.
A promessa, contudo, foi recebida com enorme desconfiança. Sem crédito
nos bancos, a situação da companhia, que atravessa a pior crise de sua
história, com graves denúncias de corrupção e perda de valor dos ativos,
pode ficar ainda pior se parte de sua dívida for cobrada
antecipadamente, como previsto em contrato, por conta dos atrasos na
divulgação dos balanços. Na última sexta-feira, quando adiou pela segunda vez a publicação das
demonstrações financeiras e contábeis do terceiro trimestre deste ano, a
estatal informou ter aprovado recentemente a implementação de uma série
de ações voltadas para a preservação do caixa e da liquidez, como
antecipação de recebíveis, redução do ritmo dos investimentos, revisão
de estratégias de preços de produtos e diminuição de custos
operacionais. “O mercado vai, provavelmente, continuar cético até que
mais detalhes sejam divulgados”, reagiu o UBS em relatório datado de 14
de dezembro.
O
Bank of America Merrill Lynch observou que, em outras circunstâncias, a
decisão de não lançar títulos nem tomar empréstimos seria recebida como
uma medida bastante positiva, que teria repercussão favorável sobre o
valor das ações da companhia. “Neste momento, porém, é uma necessidade
virtual, considerando o longo período em que, provavelmente, a companhia
poderá ter limitado (se tiver algum) o acesso a mercados financeiros”,
afirmou relatório da instituição.
Fonte:correio braziliense
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