O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu drasticamente nesta
segunda-feira sua expectativa de crescimento para o Brasil em 2015, cujo
PIB avançará apenas 0,3% diante da possibilidade de uma fuga de
capitais e do impacto pela desaceleração na China.
No relatório divulgado em outubro do ano passado, o FMI havia
informado uma expectativa de crescimento do Brasil de 1,4%, de forma que
a nova previsão reduz fortemente o avanço do PIB brasileiro, estimado
em 0,1% no ano de 2014.
O Fundo reduziu sua expectativa de crescimento para toda a América
Latina, que no conjunto deve crescer 1,3% em 2015 e 2,3% em 2016. Em
outubro, a previsão de crescimento do PIB regional era de 2,2% para 2015
e 2,8% em 2016.
Economias emergentes
De acordo com o Fundo, as economias emergentes sofrerão o impacto de
três fatores simultâneos: a desaceleração na China, as perspectivas
desalentadoras para a Rússia e as revisões para baixo do crescimento nas
exportações de matérias-primas.
Este último fator está ligado ao "impacto da queda nos preços do
petróleo e de outras matérias-primas em termos de intercâmbio e de
ingressos reais", que por sua vez "causarão um dano maior no crescimento
a médio prazo", assinala o relatório.
Do ponto de vista dos mercados financeiros, as economias
latino-americanas estarão expostas a "surpresas na trajetória da
nacionalização da política monetária americana no contexto de uma
expansão mundial sem equilíbrio".
Neste cenário, "as economias emergentes estão particularmente
expostas, já que poderão sofrer uma reversão dos fluxos de capital",
adverte o FMI.
Em relação à China, cujo crescimento está diretamente ligado ao
avanço no Brasil, o Fundo prevê um PIB de apenas 6,8% em 2015, o mais
baixo registrado no país nos últimos 25 anos.
Em outubro, o FMI havia antecipado um crescimento de 7,1% para 2015, o
menor nível desde 1990 na China, mas que se mantinha acima dos 7%. Para
2016, o FMI prevê um PIB ainda mais moderado para os padrões chineses,
de 6,3%.
De acordo com o último relatório do Fundo, a segunda maior economia
do planeta manterá em 2015 sua trajetória de desaceleração,
fundamentalmente devido a uma redução dos investimentos, uma tendência
que permanecerá até 2016.
PIB mundial
O Fundo também revisou para baixo suas previsões de crescimento
global, apesar do impulso proporcionado pela queda dos preços do
petróleo nos países importadores.
O PIB mundial avançará 3,5% este ano e 3,7% em 2016, com uma redução
de 0,3 ponto em relação aos percentuais anunciados em outubro passado
para os dois anos.
"A queda dos preços do petróleo - produzida em grande parte pelo
aumento da oferta - estimulará o crescimento mundial, mas este estímulo
se verá amplamente superado por fatores negativos", afirma o relatório.
De acordo com o FMI, a queda nos preços do petróleo - superior a 55%
desde setembro passado - favorecerá em geral os países importadores, mas
"oculta profundas diferenças de crescimento entre as grandes
economias".
Neste cenário, o FMI elevou em 0,5 ponto sua previsão de crescimento para os Estados Unidos.
O Fundo prevê ainda que a zona do Euro seguirá ameaçada pelo risco de deflação.
Fonte:band
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