A inflação do Plano Real completou 18 anos do fim de 2011. Neste período acumulou 297,03%. Na média, os preços dos produtos e serviços às famílias subiram 7,96% por ano. Estes resultados se consolidaram ontem, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística publicou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de dezembro. O indicador subiu 0,5% e acumulou alta de 6,5% no ano.
Três grupos muito conhecidos dos consumidores foram os vilões nos últimos 18 anos. Entre 1994 e o fim de 2011, os combustíveis domésticos, ou carvão e gás, encareceram 801,97%, o mesmo que 2,7 vezes a inflação. Aluguel e taxas imobiliárias subiram 664,59%. E o transporte público, meio de locomoção de muitos para conseguir o ganha-pão diário, ficou 613,64% mais caro.
O gás encanado ou de bujão, por exemplo, tem preço influenciado pela administração pública, que regulamenta o mercado de petróleo e das concessionárias do combustível encanado. E na avaliação do professor de Economia do Insper Otto Nogami, a falta de investimento do governo nos setores é um dos fatores que contribuíram para a expansão elevada desses preços. “Pela falta de investimento do governo na estrutura existente, a sua utilização é muito forte e muitas vezes gera problemas que elevam os custos para as concessionárias”, avaliou, explicando que o reflexo desse cenário é o encarecimento ao consumidor.
No caso dos transportes públicos, Nogami contou que como os reajustes partem da iniciativa privada, os preços são mantidos em patamar real, o que significa que as empresas expandem seus faturamentos, muitas vezes para acompanhar a alta dos custos, com os reajustes das tarifas. Ele explicou que há alguns anos as administrações municipais controlavam os preços e muitas vezes pisavam no freio por questões políticas.
PESOS PESADOS - O grupo serviços pessoais, como por exemplo os trabalhos de costureira, manicure, barbeiro e empregada doméstica, foi dono da quarta maior inflação acumulada nos 18 anos, com percentual de 509,14%.
Outros nove produtos e serviços encareceram mais do que a média nos 18 anos. São eles os pescados (479,26%), plano de Saúde (461,26%), energia elétrica da residência (445,59%), combustíveis (394,93%), carnes (383,18%), serviços médicos e dentários (371,05%), alimentação fora do domicílio (357,74%), reparos em imóveis (337,72%) e o fumo (336,13%).
Fonte:diário abc
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