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A Lei Maria da Penha teve impacto positivo na redução de assassinatos
de mulheres, em decorrência de violência doméstica, apontou o estudo
Avaliando a Efetividade da Lei Maria da Penha, divulgado nesta
quarta-feira (4) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
De acordo com o instituto, a lei fez diminuir em cerca de 10% a projeção
anterior de aumento da taxa de homicídios domésticos, a partir de 2006,
quando entrou em vigor. “Isto implica dizer que a Lei Maria da Penha
foi responsável por evitar milhares de casos de violência doméstica no
país”, diz o estudo.
Enquanto a taxa de homicídios de homens, ocorridos em casa, continuou
aumentando, a de mulheres permaneceu praticamente no mesmo patamar.
“Aparentemente, a Lei Maria da Penha teve papel importante para coibir a
violência de gênero, uma vez que a violência generalizada na sociedade
estava aumentando. Ou seja, num cenário em que não existisse a Lei Maria
da Penha, possivelmente as taxas de homicídios de mulheres nas
residências aumentariam”, informa o estudo.
No Brasil, os dados do Ipea mostram que a taxa de homicídios de
mulheres dentro de casa era de 1,1 para cada 100 mil habitantes, em
2006, e de 1,2 para cada 100 mil habitantes, em 2011. Já as mortes
violentas de homens dentro de casa passaram de 4,5 por 100 mil
habitantes, em 2006, para 4,8, em 2011. Neste caso, incluídos vários
fatores, além de violência doméstica.
“Se não tivesse havido a Lei Maria da Penha, a trajetória de
homicídios de mulheres no Brasil teria crescido muito mais. Homicídios
como um todo aumentaram [no país], mas, na contramão dessa direção, a
Lei Maria da Penha conseguiu conter os homicídios das mulheres dentro de
casa”, disse o diretor de Estudos e Políticas do Estado, das
Instituições e da Democracia do Ipea, Daniel Cerqueira.
Segundo o estudo, os motivos são atribuídos ao aumento da pena para o
agressor, ao maior empoderamento da mulher e às condições de segurança
para que a vítima denuncie e ao aperfeiçoamento do sistema de Justiça
Criminal para atender de forma mais efetiva os casos de violência
doméstica.
O diretor do Ipea explicou que o aumento da violência no país se
deve, principalmente, a uma diminuição do controle de armas e ao
crescimento de uso de drogas ilícitas.
Para a secretária de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres,
Aparecida Gonçalves, com o advento da Lei Maria da Penha as mulheres
começaram a perder o medo de dennciar e de buscar ajuda e proteção. “O
Estado brasileiro e todas as suas instituições estão mais engajados para
que efetivamente diminua a violência contra a mulher. Mas ainda é um
grande desafio para o Brasil a questão das políticas públicas para as
mulheres”, ressaltou ela.
Ontem (3), a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei do Senado
que classifica o feminicídio como crime hediondo e o inclui como
homicídio qualificado. O texto modifica o Código Penal para incluir o
crime - assassinato de mulher por razões de gênero - entre os tipos de
homicídio qualificado. O projeto vai agora à sanção presidencial.
Fonte:ag brasil
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