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O vírus Ebola não está mudando tão rapidamente quanto os cientistas
temiam, uma boa notícia para o tratamento da doença e para se evitar sua
propagação - é o que mostra estudo divulgado nesta quinta-feira.
Pesquisas anteriores baseadas em dados limitados havia sugerido que o
Ebola estava fazendo mutações duas vezes mais rápido que no passado,
disseram pesquisadores em artigo publicado na revista Science.
Mas os cientistas que sequenciaram quatro amostras do vírus Ebola
coletadas no Mali entre outubro e novembro não encontraram alterações
genéticas significativas em comparação às amostras colhidas no início da
epidemia, em março de 2014.
"O vírus do Ebola do atual surto na África Ocidental parece ser
estável - ou seja, não parece sofrer mutação mais rapidamente do que os
vírus em surtos anteriores de Ebola, e isso é reconfortante", explicou
Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças
Infecciosas (NIAID).
Testes de diagnóstico de Ebola, anticorpos e vacinas experimentais se
baseiam na composição genética do vírus em um determinado momento. Se
ocorrer muita variação genética, o diagnóstico de formas novas e
mutantes pode não ser possível e vacinas e anticorpos poderiam se tornar
ineficaz.
Mutações também poderiam potencialmente levar a sintomas mais graves
ou a um vírus que se espalhe mais facilmente, disseram os cientistas.
Em agosto, virologistas que estudavam 99 genomas virais de pacientes em Serra Leoa encontraram um grande número de mutações.
Mas no estudo publicado nesta quinta-feira ficou claro que as
amostras de Ebola recolhidas no Mali são semelhantes às recolhidas em
outro lugar no passado.
Os novos dados "dão ainda mais segurança de que uma estratégia de
vacinação deve funcionar", afirmou Jim Kent, da Universidade da
Califórnia em Santa Cruz, que criou um banco de dados do genoma do vírus
Ebola.
Mas Kristian Andersen, do Instituto Broad e co-autor do estudo
anterior conduzido em Serra Leoa, advertiu que novos tratamentos e
vacinas poderiam resultar em mutações de vírus que ajudarão o Ebola a
ficar mais resistente.
A epidemia de Ebola já matou mais de 10.000 pessoas na África
Ocidental - de quase 25 mil infectados - desde o início de 2014,
principalmente na Libéria, em Serra Leoa e na Guiné.
Fonte:terra foto
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