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Mais de 500 metalúrgicos foram demitidos na fábrica da General Motors
(GM) em São José dos Campos, segundo estimativa do sindicato da
categoria, baseada no número de trabalhadores que procuraram a entidade
para informar a demissão até agora.
A GM não divulga o número de dispensas, mas o Sindicato dos
Metalúrgicos de São José dos Campos e Região informou que deve aumentar,
pois empregados da unidade continuam recebendo telegramas de
desligamento.
“Os números levantados pelo sindicato confirmam que a General Motors
está realizando uma demissão em massa na planta. Isso acontece sem
nenhuma tentativa de diálogo com os trabalhadores, o que é inadmissível.
Por isso, cobramos a abertura de negociações”, declarou, em nota, o
presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros, conhecido como
Macapá.
Os trabalhadores entraram em greve por tempo indeterminado na
segunda-feira (10) contra as demissões na GM e para pressionar a empresa
a abrir negociação. De acordo com o sindicato, os cortes representam
10% dos empregados da unidade. “É inaceitável, diante de todos os
incentivos fiscais recebidos pela montadora. Por isso, cobramos a
intervenção dos governos municipal, estadual e federal no sentido de
garantir os empregos”, afirmou Macapá. No total, são 5,2 mil
trabalhadores na unidade de São José dos Campos, que atuam na produção
dos modelos S10 e Trailblazer, além de motores, transmissão e kits para
exportação.
Na manhã de hoje (12), os metalúrgicos fizeram assembleia com a
participação de parentes dos demitidos. Uma manifestação está marcada
para esta sexta-feira (14), a partir das 8h, em frente à montadora. Os
empregados da GM pedem a reversão das demissões e estabilidade no
emprego.
Na segunda-feira (10), quando começou a greve, estava previsto o
retorno de 798 empregados que estavam afastados pelo
sistema layoff (suspensão temporária do contrato de trabalho) desde o
último dia 9 de março. Estes têm estabilidade garantida por mais três
meses.
A GM informou que não divulga o número de dispensas e tem procurado
evitar demissões recorrendo a férias coletivas, layoffs e programas de
desligamento voluntário: “No entanto, essas medidas não foram
suficientes diante da expressiva redução da demanda no mercado
brasileiro, que registra queda em torno de 30% desde janeiro do ano
passado”. Para a empresa, “a paralisação da operação da fábrica só
contribui para agravar a séria crise que afeta hoje a GM e a indústria
automotiva”.
Ainda segundo a nota da GM, cujo texto é o mesmo da enviada no
primeiro dia da greve (10), os desligamentos visam a adequar o quadro da
empresa à realidade do mercado, com o propósito de resgatar a
competitividade e viabilidade do negócio. A montadora diz que lamenta a
greve e que se mantém disponível para dialogar e encontrar alternativas
para manter a unidade competitiva em um contexto de grande transformação
no mercado brasileiro.
Fonte:ag brasil
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