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| Peça Festim Diabólico está em cartaz em SP com casal gay extremamente sedutor |
| Data Publicação:09/02/2012 |
Que o crime atrai é fato. E você não precisa praticá-lo para se seduzir por ele. Sente-se no cinema, aprecie uma narração, se coloque atento diante da TV. Não é novidade e nem estranho que milhares de pessoas ficam na frente da TV ouvindo e presenciando tragédias alheias. “Festim Diabólico”, em cartaz no Teatro Nair Bello, traz a cena dois rapazes que matam para agitar suas vidas burguesamente metódicas.
A peça (Rope – título original) foi escrita em 1929 pelo inglês Patrick Hamilton (1904 – 1962), é considerada seu primeiro sucesso, catapultado obviamente pela filmagem do filme de Alfred Hitchcock, que foi indicado ao Oscar de melhor filme em 1948. A montagem pega carona nessa referência e no titulo similar para a primeira montagem brasileira a cargo de Carlos Porto de Andrade Jr.
O projeto é do ator Alexandre Barros que demorou quatro anos para realizar seu desejo de encená-lo. Barros ao lado do ator André Fusko, protagoniza o casal homossexual que tenta cometer o “crime perfeito”.
A primeira direção de Andrade não empolga, mas atinge bons momentos. Sistemática, a encenação carecia de maior jogo cênico na estréia. As participações femininas – por exemplo – burlavam com o caricatural e em conjunto com os outros participantes da festa, tornava gélido além da conta a tal “festa”. Que de sedutora não tem nada. É justo e visível o esforço da produção de criar um clima de suspense na encenação, que acaba se fragilizando pela impostação nas interpretações. A trilha sonora de Eduardo Queiroz colabora positivamente para o tal “climão”.
O embate entre o professor Rupert e o casal de jovens assassinos é o que de melhor a encenação apresenta. Embora pouco explorada, as relações de atração entre os personagens, vem à tona como se o desejo sexual sempre fosse à mola propulsora de tudo. Não é, sabemos, mas gostamos de pensar que sim. Há o embate filosófico no texto, dos questionamentos dos alunos, mas o que sobra mesmo é a pulsão em mentir, usar e ter prazer.
Há ironia e deboche no embate entre as personagens, o que é bom, pois atiça a curiosidade do espectador para os outros temas que Hamilton quer por na boca de cena. A homossexualidade dos jovens – sublinhadas no filme – é reverenciada na encenação em boa parte pela deliciosa composição de André Fusko.
Cria da Escola de Artes Dramáticas da USP e produtor do emblemático projeto “Bárbara ao Quadrado”, Fusko põe graça na encenação com trejeitos levemente afetados e uma tensão que beira o cômico. Tornando seu personagem cativante, em contrapartida com a seriedade ao homossexual de Barros. No que tange o interesse deste site – em destacar as peças com de interesse LGBT – Fusko compõe com maturidade e sem medo do ridículo seu gay. Ponto positivo para ele.
“Festim Diábolico” - até 18/03 Teatro Nair Bello: Rua Frei Caneca, 569 Sexta a domingo R$10 a R$ 40
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