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| Coronel avisou Bolsonaro de irregularidades de Mourão em projeto de R$ 32 milhões do Exército |
| Data Publicação:06/10/2018 |
Os bastidores do desenvolvimento do Simulador de Apoio de Fogo (SAFO) do Exército Brasileiro são marcados por polêmicas, dúvidas e suspeitas de irregularidades no contrato que envolvem oficiais de alta patente, a empresa espanhola Tecnobit e o lobista Tomas Sarobe Piñero.
O SAFO –que mudou de nome e atualmente se chama SIMAF (Sistema de Simulação de Apoio de Fogo)– custou R$ 32 milhões e é usado para projetar missões e cenários virtuais para treinamentos de militares a custos menores. O projeto que foi marcado por sucessivos e constrangedores atrasos foi alvo de extenso trabalho de reportagem do jornal “El País”.
Umas das figuras mais importantes (e polêmicas) do projeto é o general da reserva Antônio Hamilton Martins Mourão. Candidato à vice-presidência na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), o militar teve seu papel questionado pelo coronel da reserva, Rubens Pierrotti Júnior que atuou como supervisor operacional do SAFO. Mourão coordenou o projeto.
Segundo Pierrotti, a atuação de Mourão durante todo o desenvolvimento do simulador foi marcada por assédio moral, desrespeito aos processos e defesa intransigente dos interesses da Tecnobit. “As bobagens que ele tem dito, como candidato a vice-presidente da República, dá uma pequeníssima amostra do que ele era como oficial general da ativa do Exército, com seguidores fiéis dispostos a aplaudir tudo o que ele dizia”, resume Pierrotti.
Em entrevista ao Yahoo Notícias, Pierrotti conta mais sobre os bastidores do projeto e também revela um detalhe que não se sabia até então. Ele chegou a pedir auxílio do então deputado federal Jair Bolsonaro para tentar conter “as ilegalidades de Mourão”. Nunca obteve resposta. O Yahoo Notícias entrou em contato com a assessoria do PSL que ainda não se pronunciou. A assessoria do general Mourão se limitou a dizer que o tema já foi arquivado pelo Ministério Público do Exército. Já o Exército apenas informou em breve nota que “Rubens Pierrotti Junior é militar da reserva remunerada do Exército Brasileiro. Como qualquer cidadão é responsável por suas declarações, cabendo ao mesmo disponibilizar e esclarecer suas declarações”.
Yahoo Notícias: Quanto tempo o senhor atuou nas Forças Armadas? Quando foi designado para supervisionar o Simulador de Apoio de Fogo (SAFO)?
Rubens Pierrotti Júnior: Ingressei no Exército 1985, por meio de concurso público, na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx). Em 2016, passei para a reserva, no posto de coronel. Minha última função no Exército foi a de Comandante do 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista. Fui designado como Supervisor Operacional do Projeto do Simulador de Apoio de Fogo (SAFO) por meio da Portaria no 1.059, de 28 Out 2010. Na época, estava no posto de major e exercia a função de Chefe da Seção de Inteligência da 1ª Região Militar (1a RM) (RJ e ES). No Projeto SAFO, passei a chefiar a equipe de quatro artilheiros, cuja função era, num primeiro momento, trabalhar com a Tecnobit no detalhamento dos requisitos operacionais básicos para que o Simulador incorporasse a doutrina do Exército Brasileiro.
Fonte:Yahoo.com
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