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MAIS GORDURAS E PROTEÍNAS NAS DIETAS PARA PERDER PESO
Data Publicação:02/08/2012
Estudo mostra que este tipo de dieta é mais eficiente do que as com carboidratos.

Uma caloria é de fato apenas uma caloria? As calorias de um refrigerante têm o mesmo efeito na cintura que o mesmo número de calorias de uma maçã ou um pedaço de frango? Durante décadas, a questão pairou entre os pesquisadores — e também entre as pessoas que faziam dieta. Dúvidas sobre calorias podem agora ter uma resposta com a divulgação de um estudo, no mês passado, na publicação da Associação Médica Americana (Jama, em inglês). Ele aponta que após a perda de peso, aqueles que mantém uma dieta baseada em proteínas e gorduras queimaram mais calorias do que os que mantinham dieta de carboidratos.
Em entrevista ao New York Times, o pesquisador Jules Hirsch, professor da Rockefeller University, que tem pesquisado sobre obesidade há cerca de 60 anos, falou sobre o trabalho. Financiado por companhias farmacêuticas e pela indústria da dieta, ele escreveu alguns dos texto clássicos os quais descrevem por que é tão difícil perder peso e por que geralmente ele volta ao corpo.
O estudo da Jama chamou bastante atenção. As pessoas deveriam permanecer nas dietas com gorduras e proteínas se quiserem manter a perda de peso?
O que eles fizeram nesse estudo foi acompanhar 21 pessoas durante uma dieta que os fez perder 10% a 20% do seu peso. Em seguida, depois de perderem peso e estarem em níveis normais, eles seguiram três diferentes dietas. Um delas tinha pouco carboidrato e muita gordura; outra era o oposto — muito carboidrato e pouca gordura. A terceira era uma intermediária. Dessa forma, eles mediram o total de gasto energético — calorias queimadas — e o restante de energia.
O relatório dos que seguiram a primeira dieta mostrou que estas queimavam mais calorias. Dietas com pouco carboidrato geralmente promovem uma perda de peso inicialmente mais rápida que a dieta com a mesma quantidade de calorias, porém com mais carboidrato. Mas quando os níveis de carboidratos são baixos numa dieta e a gordura é alta, as pessoas perdem água. Então eles podem confundir a tentativas de medição da saída energética. A medição habitual é de calorias por unidade de massa corporal magra — a parte do corpo que não é feita de gordura. Quando a água é perdida, a massa corporal magra diminui, e assim calorias por unidade de massa corporal magra sobem. É uma aritmética simples. Não tem hocus pocus. Apenas água, nenhuma gordura foi perdida.
Então a coisa toda parece ter sido uma ilusão? O que aconteceu foi que as pessoas temporariamente perdiam água em dietas de proteínas?
Talvez a ilusão mais importante é acreditar que uma caloria não é uma caloria, e sim, depende de quanto de carboidrato come uma pessoa. Tem uma lei física — a energia ingerida deve ser exatamente igual ao número de calorias que saem do sistema quando o armazenamento de gordura é inalterado. As calorias deixam o sistema quando a comida é usada como combustível para o corpo. Para diminuir a gordura — reduzir a obesidade —, é preciso reduzir a quantidade de calorias ingeridas ou aumentar o consumo pelo aumento da atividade ou ambos.
Acreditar no contrário é acreditar que podemos encontrar uma máquina de movimento perpétuo muito boa para resolver nossos problemas energéticos. Não vai funcionar, e nem vai mudar a fonte de calorias que nos permite desobedecer as leis da ciência.

Fonte: O GLOBO – RJ



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