Em entrevista à emissora portuguesa RTP,
veiculada neste domingo, o ex-presidente Lula reafirmou que não vai
concorrer a cargo eletivo em 2014. “Já cumpri com a minha tarefa no
Brasil. Eu sonhava em ser presidente porque queria provar que eu tinha
mais competência para governar que a elite brasileira, e provei. A Dilma
é uma mulher de extrema competência. Ela vai ganhar as eleições”,
disse.
Questionado sobre seu futuro, o ex-presidente
respondeu que continuará fazendo política mesmo sem cargo. “Eu vou para
rua fazer campanha para a Dilma. Eu não quero cargo político. Quero ser
importante pela minha capacidade de trabalho. Não preciso de cargo”.
Além de trabalhar como cabo eleitoral da
atual presidente, Lula disse que também quer atuar no exterior. “Tenho
compromisso com a minha consciência de levar para a África e a América
Latina as experiências bem sucedidas do meu governo.”
Em relação à política econômica de sua
sucessora, Lula rebateu as críticas: “Qual país conseguiu manter a
inflação na meta durante dez anos consecutivos, aumentando a renda dos
trabalhadores e com pleno emprego?”, indagou.
Protestos
Na entrevista, Lula também foi questionado
sobre a insatisfação popular com a Copa do Mundo, demonstrada nas
manifestações. “Deixa o povo protestar. É um povo indo pra rua protestar
e outro indo pro estádio ver o jogo”, respondeu. “Acho extraordinário
que o povo queira mais. Escola padrão Fifa, saúde padrão Fifa,
transporte padrão Fifa. Quanto mais reivindicam, mais eu tenho o que
fazer.”
Na primeira avaliação direta do petista sobre
a sentença que levou à prisão ex-dirigentes do PT, Lula disse que “não
se trata de gente da minha confiança”, ao falar sobre os condenados. O
ex-presidente negou a existência do mensalão. “O que eu acho é que não
houve mensalão. Foi um massacre para destruir o PT e não conseguiram”.