Diante da divulgação de informações relacionadas ao processo de
delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso
pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, a CPI mista que investiga
denúncias de irregularidades na estatal decidiu convocá-lo para prestar
depoimento. Ele será ouvido na próxima quarta-feira (17).
A determinação foi anunciada nesta quarta-feira (10) pelo presidente
da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), após reunião de líderes em seu
gabinete.
- Nós queremos ouvi-lo. Durante esse processo, a nossa assessoria e a
diretoria da comissão vão tomar as providências cabíveis para o
translado do senhor Paulo Roberto – anunciou Vital.
A convocação de Costa pela CPI mista já tinha sido aprovada antes do
processo de delação premiada. O ex-diretor da Petrobras depôs à CPI
exclusiva do Senado em junho. À época, porém, ele afirmou que não tinha
envolvimento em qualquer fraude em contratos e alegou desconhecer as
atividades de Alberto Youssef como doleiro. O ex-executivo, que havia
sido solto por decisão do ministro do STF Teori Zavascki, voltaria a ser
preso no dia seguinte ao depoimento.
Além da convocação de Paulo Roberto Costa, a CPI mista elaborou um
ofício para requerer à Justiça Federal no Paraná acesso a todas as
informações referentes aos depoimentos de Costa, mesmo com o processo de
delação premiada ainda em curso.
- A CPI, com seus poderes constitucionais, terá a responsabilidade de
receber e guardar os documentos apresentados. Já determinamos a
elaboração de uma petição para o senhor ministro Teori Zavascki [relator
do processo no STF] para que esses documentos coletados na delação
premiada possam vir automaticamente à comissão. Este é o nosso direito.
A CPI quer ser parte nesse processo. A delação está em curso e temos
insistindo para o que já foi coletado possa vir à comissão – explicou
Vital.
Questionado sobre o fato de o processo correr em sigilo de justiça, o
que impediria o acesso a essas informações, Vital respondeu:
- A CPI não é qualquer pessoa. Ela tem os poderes constitucionais – reiterou.
Reunião
Outra providência tomada pelos parlamentares foi a redação de uma
petição solicitando uma reunião com Teori Zavasckipara discutir o
compartilhamento de informações sobre o processo.
- Estou insistindo muito com essa audiência para discutirmos e
afinarmos os procedimentos. Vamos integrar as ações do Supremo com a CPI
– afirmou Vital.
Para o senador José Agripinio (DEM-RN), que participou da reunião,
marcar o depoimento antes mesmo da chegada das informações da delação
premiada não atrapalhará o trabalho da CPI.
- Não dá para fazer compatibilizações. Temos que tomar iniciativas
como marcar a vinda dele. Não tem que ficar vinculando uma coisa com a
outra – disse o líder do DEM no Senado.
Políticos
Os participantes da reunião, que teve presença de muitos líderes da
Câmara dos Deputados, ressaltaram que não há elementos para discutir a
situação de políticos que teriam sido mencionados por Paulo Roberto
Costa.
— Não há denúncia, há [apenas] menção. Seria uma precipitação da
nossa parte — comentou José Agripino, líder do DEM e membro suplente da
CPI mista.
O deputado Fernando Francischini (SD-PR) também defendeu cautela.
- O importante agora é a CPI debater tudo. Precisamos ter a força e a
firmeza de investigar todos os nomes citados e o cuidado de verificar
se o Ministério Público comprovou o envolvimento de algum – disse.
Fonte:ag senado
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