O Diário Oficial da União deve publicar
amanhã (6) o esperado registro do daclatasvir, primeiro medicamento oral
para hepatite C a ser usado no Brasil. O anúncio foi feito na tarde de
hoje (5) pelo ministro da Saúde, Arthur Chioro. Ele adiantou que,
registrado o medicamento, a Comissão Nacional de Incorporação de
Tecnologias no SUS (Conitec) avaliará o uso na rede pública, o que pode
demorar até seis meses.
O registro é o documento que permite a
venda de um medicamento no país. Em outubro, o Ministério da Saúde
havia pedido à Agência Nacional de VIgilância Sanitária que priorizasse a avaliação do registro de três medicamentos usados no cambate à hepatite C, entre eles o daclatasvir. O sofosbuvir e simeprevir
ainda aguardam o registro. O índice de cura da doença com o uso destes
medicamentos chega a 90%. O registro dos três remédios e a incorporação
deles ao SUS era uma demanda das associações voltadas para a hepatite C.
De acordo com o Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite, os
remédios injetáveis usados atualmente causam problemas colaterais graves
à saúde do paciente, que, muitas vezes, pode ser obrigado a suspender o
tratamento por causa dos riscos. Além disso, o índice de cura dos
tratamentos disponíveis não ultrapassa 70%.
Além de ter um índice de cura maior, o novo medicamento também reduz o
período de tratamento de 48 para 12 semanas. Atualmente, 15,8 mil
pessoas tratam a hepatite C na rede pública brasileira.
Segundo Chioro, o novo medicamento também será uma opção para quem
tem Aids e para os transplantados, grupos com dificuldades para
injetáveis.
A hepatite C é uma doença causada por vírus e transmitida
principalmente pelo sangue, mas também pelo contato sexual ou por mães
para bebês durante a gravidez. A enfermidade pode gerar lesões no fígado
e até mesmo câncer hepático.